Parque dos Manguezais inicia processo de elaboração de Plano de Manejo

Esta UCN é a maior área de mangue da cidade, um bioma que abriga uma grande biodiversidade e consiste em um berçário natural para várias espécies marinhas

 

A comunidade da Ilha de Deus foi palco, na última quinta-feira (23), da Oficina Participativa de Diagnóstico sobre a Unidade de Conservação da Natureza (UCN) do Parque dos Manguezais. A UCN está localizada em meio ao complexo estuarino dos rios Capibaribe, Jordão, Pina e Tejipió, somando a maior área de mangue da cidade, um bioma que abriga uma grande biodiversidade e consiste em um berçário natural para várias espécies marinhas.

 

Participaram do encontro cerca de 50 pessoas, entre moradores, comunidade pesqueira, instituições da sociedade civil, profissionais da saúde, representantes do Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA), pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), gestores e técnicos da Secretaria de Desenvolvimento Sustentável e de Meio Ambiente.

 

Com uma área de 320,34 hectares, o Parque dos Manguezais foi criado através da Lei de Uso e Ocupação do Solo, em 1996, e regulamentado em 2010. Trata-se de um território cuja conservação é de fundamental importância para a manutenção de serviços ambientais, como provimento de alimentos, regulação de marés, sequestro de carbono e amenização climática, além de constituir-se como espaço com potencial para educação ambiental, lazer e visitação. 

 

“A elaboração do Plano de Manejo deve levar em consideração a população. O reconhecimento de povos e comunidades tradicionais, como a pesqueira, além de contribuir para preservação, possibilita políticas públicas para estas pessoas, dando maior qualidade de vida, absorvendo a demanda deles. Exemplos disso são os serviços de saúde que deveriam atender as especificidades deste público, pensando nas doenças ocupacionais. No geral, se o Estado reconhece estas comunidades, as políticas públicas são viabilizadas. O olhar para as comunidades pesqueiras deve influenciar também na categorização da área”, afirmou o professor da UFPE, Cristiano Ramalho, acrescentando que quase 70% da produção pesqueira do Estado vem da Região Metropolitana do Recife.

 

O secretário executivo de Controle Ambiental, Carlos Ribeiro, destacou as políticas púbicas integradas. “A prefeitura está trabalhando os Planos de Manejo e a revisão do Plano Diretor, que são instrumentos diferentes, mas isto é importante porque podemos levar as questões ambientais mais detalhadas para contribuir no outro documento. Cada localidade tem diferentes problemáticas, que tem secretarias responsáveis. A Secretaria de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente não vai cuidar de tudo, são ações que devem ser trabalhadas integradas”, pontuou.

 

Para Fábio Romão, da Associação de Pescadores e Aquicultores da Ilha de Deus, o momento foi positivo. “Foi um dia construtivo e esperamos encaminhamentos. Precisamos de políticas públicas que tragam entendimento sobre a comunidade pesqueira. Não queremos assistência de dinheiro, queremos apoio para nosso trabalho, melhorar nossa qualidade de vida. Procuramos usar práticas que trazem menos impactos ambientais”, disse. “O manguezal é o pulmão da cidade, vamos acreditar que ainda é possível. As pessoas estão descrentes, mas precisamos acreditar”, acrescentou a senhora Anatília Viana, do Projeto Centro de Revitalização e Valorização da Vida (CRVV), que desenvolve trabalhos sociais para crianças da comunidade do Bode.

 

O processo de elaboração dos Planos de Manejo das 25 UCNs municipais está na etapa de diagnósticos, em seguida virá a categorização, zoneamento, programas e planos, além da criação dos conselhos gestores.

 

Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade

Cais do Apolo, 222 - 7º Andar - Recife, PE, 50030-230 (8h às 12h: atendimento ao público)

 

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