
O secretário executivo de Sustentabilidade da Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Recife (SMAS), Maurício Guerra, abriu, na manhã desta quinta-feira (21), a 1ª Oficina de Validação dos Resultados Preliminares do Índice de Vulnerabilidade à Mudança do Clima na Cidade do Recife. O evento foi realizado no auditório do Sesc Santo Amaro.
Além da equipe técnica da SMAS, participaram, também, representantes do Banco de Desenvolvimento Latinoamericano (CAF), financiador do projeto 'Índice de Vulnerabilidade à Mudança do Clima'; do consórcio de empresas WayCarbon/Iclei/SouthPole, responsável pelo desenvolvimento técnico e apresentação dos dados; servidores do Estado e Município, professores universitários e estudiosos da área ambiental.
“Esta primeira oficina acontece para apresentação e discussão dos resultados preliminares do Índice de Vulnerabilidade, que irá subsidiar o Plano de Adaptação à Mudança do Clima da nossa capital. O estudo foi iniciado em dezembro de 2018 e deve ficar pronto em, mais ou menos, seis meses. O objetivo é identificar as regiões da cidade mais vulneráveis a perigos climáticos, como inundações, deslizamentos, ondas de calor, entre outros. A partir dessa identificação, será possível encontrar medidas de resiliência e adaptação para o enfrentamento das mudanças”, explica Maurício Guerra.
Dados
A mudança do clima já é uma realidade. Estudos apontam que cidades do porte do Recife, considerado um grande centro urbano, são, especialmente, vulneráveis às mudanças climáticas. De acordo com a consultora da WayCarbon e doutora em Geografia, Melina Amoni, isso se justifica pela maior concentração de pessoas e dos ativos econômicos, realidade que, segundo ela, demanda um cuidado especial.
"Recife é ainda mais especial porque está classificada, de acordo com o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), como a 16ª cidade mais vulnerável do mundo a essas mudanças. Aqui, a gente tem diversos impactos bem conhecidos: problemas na elevação do nível médio do mar, inundação, escassez hídrica, ondas de calor, proliferação de vetores de doença, deslizamento, erosão costeira, entre outros", analisa Melina.
Durante a apresentação da WayCarbon, empresa líder na elaboração do projeto, foram expostas algumas projeções que os modelos climáticos apontam para o Recife: aumento da temperatura média, aumento na duração das ondas de calor, aumento dos dias secos, redução dos dias úmidos consecutivos e aumento nas precipitações extremas. "Significa dizer que, no tocante às chuvas que causam graves problemas de inundações e deslizamentos, a tendência é que elas sejam mais frequentes", adverte Melina.
Projeto pioneiro
A secretária executiva de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Estado, Inamara Melo, participou da oficina e define o projeto como ‘um grande ganho para Pernambuco’. “É um trabalho que precisa ser reconhecido nacionalmente, já que, com esses dados, o Recife está bem à frente das demais capitais”, comemora. Inamara acrescenta que o Governo do Estado espera trabalhar em parceria com a PCR e, também, replicar a experiência do Recife em outras cidades, particularmente, às da zona costeira pernambucana, onde há realidades semelhantes.
“Beber dessa experiência é muito importante, já que podemos ajudar outros municípios no enfrentamento daquilo que, inevitavelmente, virá. E todos os estudos estão demonstrando isto: os efeitos climáticos são visíveis, palpáveis e já fazem parte do nosso cotidiano”, analisa a secretária.
Políticas Públicas
O coordenador geral do Centro de Tecnologia e Geociências da Universidade Federal de Pernambuco, Moacyr Cunha de Araújo Filho, ressalta a importância da realização de um projeto dessa natureza, já que, por meio, dele haverá o primeiro mapeamento da vulnerabilidade da capital pernambucana, dos potenciais de adaptação e mitigação às mudanças do clima.
“É um estudo fundamental para qualquer planejamento e desenvolvimento de políticas públicas. O grande desafio está em conseguir incorporar todas as informações científicas levantadas aos planos diretores das cidades e do Estado. É, realmente, uma necessidade. Quanto antes esses resultados forem incorporados, maior será a capacidade para planejamentos de adaptação e mitigação”, analisa Moacyr.